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Cartão é prioridade de Bradesco e Itaú
24-Jan-2008
Os bancos privados acirram a disputa no mercado de cartões
de crédito este ano, segmento que teve o segundo maior
crescimento entre os produtos financeiros até novembro de
2007. Líder do setor, o Itaú pretende ampliar sua base de 14
milhões de plásticos em 21%, em 2008, por meio de novas
parcerias com grandes varejistas. Já o Bradesco, que espera
superar o concorrente nos próximos anos, aproveitará a
decisão do governo que baixou de 30% para 20% o limite de
endividamento dos aposentados e pensionistas do INSS para
expandir seu cartão consignado, produto que ficou com os 10%
restantes do limite de dívida após a medida.
Segundo dados do Banco Central, atualizados em novembro do
ano passado, o saldo das operações de cartões de crédito no
País cresceu 27,2% em 12 meses, somando R$ 17,6 bilhões. É a
segunda maior alta, perdendo para o crédito imobiliário, que
subiu 79,2% (R$ 2,06 bilhões). Pesquisa divulgada ontem pela
Itaucard prevê que a indústria do cartão deve ter
faturamento de R$ 218 bilhões em 2008, crescimento de 19% na
comparação com os R$ 183 bilhões fechados em 2007.
Na esteira dessa expansão, o Itaú planeja manter a liderança
ampliando sua base de cartões em 21% neste ano, acima das
projeções de expansão do mercado como um todo. "Temos uma
vantagem competitiva que é a distribuição de plásticos fora
da rede de correntistas. Com a compra da Credicard
[realizada em dezembro de 2006], passamos a ter mais
penetração em todos os nichos", explica Fernando Chacón,
diretor de Marketing de cartões do Itaú. Do total de 14
milhões de plásticos da instituição, em torno de 7,5 milhões
são cartões de não correntistas, afirma o executivo.
A estratégia para este ano, segundo ele, será firmar novas
parcerias com grandes varejistas. Atualmente, o banco tem
contratos com gigantes como Pão de Açúcar e Lojas
Americanas. Outra frente de ação será ampliar a penetração
no Sul do País, região que tem menor aceitação aos
plásticos. "A indústria de cartões na região Sul já está
tendo índice de crescimento entre 22% e 23%, maior que a
média do País. A idéia é ampliar a emissão nessa região por
meio da educação do cliente e aproximação", diz Chacón. Ele
não descarta a possibilidade de parcerias com bandeiras
menores que atuem nesses estados. "Diferentemente do
Nordeste, onde o consumo por meio eletrônico é mais
concentrado nas grandes capitais, no Sul, as operações
também estão no interior".
Na opinião de Alexandre Rappaport, superintendente de
planejamento da Bradesco Cartões, o mercado tende a
continuar crescendo nos patamares atuais, já que há espaço
para os meios eletrônicos tomarem o lugar do cheque e do
dinheiro. "Além disso, o cenário é de aumento da renda e do
consumo, o que favorece a indústria", analisa. Segundo ele,
o banco deve continuar lançando produtos este ano, mas não a
ritmo acelerado. "Já temos um bom portfólio, vamos focar no
atendimento e na aproximação ao cliente", esclarece.
O último cartão lançado pelo banco foi o Cartão Amazônia
Sustentável, feito de plástico reciclável. Com bandeira
Visa, parte do faturamento será revertido para financiar as
atividades da Fundação Amazonas Sustentável. Outro produto
que terá mais relevância no banco é o cartão de crédito
consignado INSS, destinado a aposentados e pensionistas.
Lançado no ano passado, o Cred Mais INSS terá gás extra após
a medida anunciada pelo governo de diminuir de 30% para 20%
o limite de endividamento por consignado aos aposentados e
pensionistas. Os outros 10% só poderão ser usados em cartão
consignado. O Bradesco conta com 4 milhões de correntistas
que são público-alvo do produto. "Essa mudança vai
impulsionar o mercado de plásticos para aposentados e
pensionistas. Vamos aproveitar a posição privilegiada que
temos nesse mercado com o BMC", diz o executivo.
Apesar de o maior crescimento em termos de volume de cartões
estar nas classes mais baixas, as classes média e alta ainda
movimentam a maior parte do faturamento da indústria, afirma
Rappaport. "Por isso, o Bradesco não focará em nenhuma
classe social especificamente", diz. Para a classe alta, o
banco conta com os produtos da American Express (Amex),
comprada pelo Bradesco em março de 2006, quando se tornou o
segundo banco no ranking de market share em cartões.
De acordo com números do balanço da instituição do terceiro
trimestre de 2007, o Bradesco conta com uma base de 67,3
milhões de cartões, sendo 16,3 milhões de crédito, 42,1
milhões de débito e 8,9 milhões de private label (cartões de
loja). O banco também dará atenção especial justamente ao
último segmento, que tem impulsionado a penetração da
indústria na baixa renda. Detentor de um contrato com as
Casas Bahia, o Bradesco planeja agora firmar parcerias com
outros varejistas que já têm cartões, mas que apresentem
interesse em se aproximar de uma instituição financeira.
"Muitos planejam converter seus plásticos, aceitos somente
em suas lojas, em cartões bandeirados, que poderão ser
usados em mais estabelecimentos e, com isso, ampliar o
volume e o valor das operações", completa Rappaport. Ele
aponta também interesse das redes em substituir pagamento
via carnês.
Pesquisa Itaucard
Estudo divulgado ontem pela Itaucard mostrou que a indústria
do cartão de crédito tem crescido a um ritmo maior que o
setor varejista nos últimos seis anos. Enquanto o mercado de
plásticos teve expansão de mais de 150% no período, com
faturamento de R$ 182,9 bilhões em 2007, o mercado varejista
avançou 109%, com faturamento de R$ 335 bilhões. Fernando
Chacon, da Itaucard, afirma que os segmentos do varejo que
mais adotaram os meios eletrônicos foram os que cresceram
mais. Ele cita como exemplo o ramo de vestuário, lojas de
departamento e calçados, onde, segundo a pesquisa, a
indústria de cartões cresceu mais (34,6%) e o varejo teve
maior expansão na comparação com outros segmentos (15%). "As
empresas varejistas dobraram de tamanho no período, mas se
mantiveram concentradas".
Fonte jornal DCI - Luciana Bruno
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