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Banco Privado oferecerá consignado para servidor
16-Jan-2008
O governo vai assinar, em questão de dias, decreto que abre
para bancos privados as operações de empréstimos consignados
para os cerca de 2 milhões de servidores civis ativos e
inativos do Executivo — a maior carteira individual do
funcionalismo público. A mesma medida também vai vedar a
concessão de crédito por entidades de previdência privada
que centralizavam os empréstimos para servidores públicos
federais junto aos bancos oficiais, como Caixa Econômica
Federal e Banco do Brasil. Na prática, só os bancos — tanto
públicos quanto privados — passarão a poder operar uma
carteira de crédito avaliada em R$ 25 bilhões, perdendo
apenas para os R$ 29,8 bilhões emprestados aos aposentados e
pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A atual política de consignação do Ministério do
Planejamento é regulamentada pelo Decreto nº 4.961, de 2004.
A regras para servidores do Executivo são mais maleáveis que
as do INSS. A única imposição deverá ser a margem de
comprometimento de renda em 30% (ante 20% do INSS), mas não
há limite de juros nem de prazo de parcelamento. Para os
aposentados, o teto dos juros é de 2,64%, em 60 parcelas, no
máximo. O decreto vai dar continuidade às mudanças iniciadas
em 22 de outubro passado, quando o Ministério do
Planejamento soltou a Portaria nº 1.976, suspendendo a
concessão de empréstimos consignados a servidores federais
por cooperativas de crédito e entidades de classe.
Na mesma portaria, foi instituído grupo de trabalho com a
tarefa de moralizar as operações, que haviam sido impedidas
pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por suspeita de
irregularidades. Para a conclusão, o grupo teria 90 dias de
prazo, que expira agora. A minuta do decreto está pronta e
só esperando o ministro Paulo Bernardo voltar das férias
para cravar a assinatura. Na época, já existiam 3,5 milhões
de operações de consignação envolvendo 1,3 milhões de
servidores ativos. Essas operações movimentavam R$ 440
milhões por mês, distribuídos em mais de 700 entidades
autorizadas a fornecer empréstimos com desconto em folha com
o aval do Planejamento. Em função da auditoria do TCU, ficou
estabelecido que as associações de classe poderiam descontar
apenas as mensalidades dos sócios na folha de pagamento do
Planejamento — e não cobrar empréstimos.
Comemoração
A decisão do Planejamento já vem sendo comemorada com
antecipação pela Associação Brasileira dos Bancos Comerciais
(ABBC), já que as instituições passam a ter acesso a um
montante estimado em R$ 52 bilhões, segundo o Sistema
Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape), que
processa e controla a folha de pagamento dos servidores da
ativa ou aposentados e pensionistas civis do Executivo.
“Essa é uma demanda antiga do sistema financeiro e uma
excelente medida do governo federal, que irá estimular a
concorrência entre os bancos e o menor custo dos empréstimos
para o funcionário público. Todo mundo sai ganhando”,
observa Renato Oliva, presidente da ABBC. Ele lembra que os
chamados “bancões” serão os maiores beneficiados. “Mas a
concorrência dos bancos médios irá ajudar na busca da
eficiência e do menor preço”, compara.
Segundo uma fonte do mercado, o empréstimo do servidor
federal é mais vantajoso para os bancos em relação ao dos
aposentados do INSS, tomando por base o salário médio da
categoria, estimado em R$ 2 mil. Na média, o valor desses
empréstimos não seria nunca inferior a R$ 7 mil, com 50
meses para pagar. “É melhor também na comparação com os
funcionários municipais ou estaduais, que exigem maior
esforço dos bancos para fechar convênios com prefeituras.
Nesse, basta abrir o canal com o Planejamento e
pronto”,argumenta. A Capemi, pioneira no mercado de
consignação do funcionalismo público no país e acusada de
escândalos de desvios de dinheiro no passado, prefere não se
pronunciar até sair o comunicado oficial do governo.
Fonte jornal Correio Braziliense - Sandra Kiefer
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