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Lemon busca o equilíbrio
01-Feb-2008
O negócio do Lemon Bank quase azedou. Esse banco nacional,
de sócios argentinos que venderam o site Patagon por US$ 750
milhões para o Santander, foi criado há cinco anos com uma
proposta diferenciada de não ter agências físicas. Teve como
inspiração o inglês Egg Bank, vendido em maio do ano passado
para o Citigroup, por US$ 1,1 bilhão. A diferença entre
ambos é que o negócio do Egg está na internet e o Lemon
queria conquistar as pessoas de baixo poder aquisitivo
através de uma rede de correspondentes bancários em locais
improváveis. Entre esses pontos inusitados, os ônibus
urbanos chegaram a ser transformados em um posto bancário,
com o cobrador fazendo as vezes de caixa. Como elo com esses
clientes, o conhecido instrumento de crédito chamado cartão.
Era o banco do limão cortado ao meio espremendo sua marca
pelas cidades. Mas o modelo de negócios não deu certo e ele
teve de mudar de estratégia. Trocou executivos, abandonou os
cartões de crédito, alterou a rede de correspondentes
bancários, mudou a política de crédito e começou a trabalhar
com empresas. Enfim, busca fazer do limão uma limonada.
Mais que nunca, a ordem é ganhar dinheiro. O Lemon perdeu R$
4,3 milhões em 2004 e lucrou pouco nos anos seguintes: R$
500 mil em 2005 e R$ 3,5 milhões em 2006. É pouco para quem
previa lucros anuais de R$ 10 milhões ao ano. Na semana
passada, rumores de mercado davam conta de que o banco
procurou o UBS Pactual para organizar a venda de 30% da
participação acionária. O Lemon não nega nem confirma a
informação. Com ou sem reforço de novos acionistas, procura
outras formas de conquistar a baixa renda e lucrar com a
explosão do crédito que engorda os balanços dos bancos
tradicionais.
Pelos planos iniciais, o cartão de crédito seria o
instrumento fundamental para o cliente ter acesso a linhas
de crédito, seguro e demais produtos financeiros. A rejeição
foi tamanha que o Lemon acabou com seu dinheiro de plástico.
Foi a primeira folha retirada do limoeiro. A segunda foi o
fechamento de alguns correspondentes que se mostraram
ineficientes. Entre eles, os ônibus. Das três mil lojas
credenciadas inicialmente, quinhentas perderam o negócio. Os
sonhados nove mil parceiros no primeiro ano de vida nunca
vieram e o banco redimensionou a rede para 5,8 mil. A
revisão de estratégia consumiu os anos de 2006 e 2007. Emprestimo consignado.
O presidente Eduardo Brigagão deixou a casa e Michael
Esrubisky, que estava na direção geral, assumiu o leme.
“Repensar o nosso modelo serviu para melhorar a gestão de
risco do negócio”, diz o atual diretor- geral, Gilberto
Salomão, que chegou em 2005.
O foco central continua sendo a clientela da economia
informal, um mercado que movimenta R$ 146 bilhões, segundo o
instituto de pesquisas DataPopular. O crédito passou a ser
oferecido pelos correspondentes bancários, que até então só
recebiam pagamentos. Faz sentido.
“Os correspondentes nasceram para facilitar a vida de quem
precisa pagar uma conta, e esse histórico ajuda na venda de
crédito”, afirma Ricardo Fleury, sócio da Trevisan
Consultoria.
O Lemon colocou na prateleira os créditos pessoal,
consignado e ao consumo. No primeiro ano, foram feitos 42
mil contratos. O volume financeiro chegou a R$ 23 milhões,
com empréstimo médio de R$ 550.
Para se adequar ao público, desenvolveu uma ferramenta de
aprovação que contabiliza dados sociais. A rede de amizades,
por exemplo, é um importante dado para o banco. As
informações formam um grande birô positivo para agilizar a
liberação do empréstimo àqueles que visitam mensalmente sua
rede de correspondentes. São quatro milhões de pessoas. O
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) entregou US$
450 mil para o Lemon continuar aprimorando essa ferramenta.
Outras oportunidades foram exploradas no mercado
corporativo. O Lemon passou a oferecer linhas de capital de
giro para as empresas, atreladas à securitização de
recebíveis. Somente em 2007, concedeu R$ 300 milhões. “Fazer
negócio não é um favor nosso, também queremos ganhar
dinheiro”, diz Salomão.
Fonte revista Isto É Dinheiro - Márcio Krohen
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