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Crédito deve atingir 40% do produto interno bruto em 2008
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01-Jan-2008
O crédito imobiliário, o financiamento de veículos e o
consignado serão as modalidades que deverão puxar o
crescimento do crédito no ano que vem, segundo analistas
ouvidos pelo DCI. Apesar de projeções da Federação
Brasileira dos Bancos (Febraban) estimarem que a carteira
total de empréstimos das instituições financeiras subirá
19,9% em 2008, pouco abaixo dos 21,9% esperados para o fim
de 2007, instituições como Associação Nacional dos
Executivos de Finanças (Anefac), Corretora Ágora, Tendências
Consultoria e Instituto de Ensino e Pesquisa em
Administração (Inepad), estão bem mais otimistas e esperam
avanço de pelo menos 25% na carteira total.
Segundo Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac, o
volume total de crédito que até outubro está em R$ 880,8
bilhões, representando 34% do Produto Interno Bruto (PIB),
deve passar para 40% do PIB, somando R$ 1,150 trilhão. Para
Oliveira, o motor desse crescimento serão as modalidades com
garantia. "Com a continuidade da queda dos juros bancários,
as instituições financeiras darão preferência às operações
que têm garantias, como o financiamento habitacional, o de
veículos e o consignado", endossa.
Desde setembro de 2005, a Selic já caiu 8,5 pontos
percentuais (queda de 43,04%), para 11,25% em dezembro de
2007. Neste período, a taxa de juros média para pessoa
física apresentou uma redução de 10,02 pontos percentuais
(queda de 7,10%) para 131,10% ao ano em 2007. Essa tendência
deve continuar, diz Oliveira, fazendo com que a Selic
encerre 2008 em 10% ao ano.
Oliveira lembra ainda que o próximo ano também terá
alongamento de prazos. "Hoje já existem bancos oferecendo
prazo de 30 anos no crédito imobiliário, como é o caso da
Caixa Econômica Federal. Os bancos privados devem fazer o
mesmo, assim como no financiamento de veículos, com prazo
até 84 anos", diz.
Para Denis Blum, analista da Tendências, o crédito também
continuará crescendo nas modalidades de menor risco. "A
tendência é ainda de melhora na qualidade do crédito, o que
é coerente com o tipo de empréstimo que mais cresce, que é
consignado e veículos", lembra.
Motor do crescimento
Na opinião de Aloísio Lemos, da corretora Ágora, o motor do
crescimento do crédito será o próprio consumo, que
continuará forte no ano que vem. "Crédito direto ao
consumidor e cartões de crédito também devem ter grande
demanda. Na pessoa física, a onda do crédito imobiliário é a
mais aguardada. Na pessoa jurídica, as pequenas e médias
empresas continuarão sendo o foco, crescendo na ordem de
40%", completa Lemos.
Ariadne Arnosti, do Inepad, aponta que para o crédito
imobiliário ter o impulso previsto pelo mercado seria
necessária a aplicação de mais recursos livres na
modalidade, não só os direcionados. "Para ter crescimento
sustentável, só os recursos da poupança não são suficientes.
Os bancos hoje não têm mais dificuldades de cumprir a
exigência de destinar 65% dos depósitos em poupança no
financiamento à casa própria", diz. "O crescimento da
securitização é uma tendência, está caminhando mais devagar,
mas é importante para fortalecer o setor". Quanto ao
consignado, a analista prevê continuidade de crescimento.
Subprime
Caso se agrave a crise dos mercados mundiais iniciada em
julho deste ano, com o crédito de alto risco no setor
imobiliário chamado de subprime , pode haver um revisão do
cenário de crédito no Brasil. "Mas isso apenas em caso
extremo de desaceleração forte da economia global", afirma
Arnosti, do Inepad.
Outro ponto positivo para os bancos é a intensificação das
atividades de banco de investimento, já que o chamado
investment grade trará mais investidores estrangeiros ao
país. "O que intensificará as operações, de fusões e
aquisições a IPO (ofertas iniciais de ações, da sigla em
inglês)".
Aloísio Lemos, da Ágora, lembra que há bancos que não são
considerados grau de investimento em escala internacional e
passarão a sê-lo com a chegada da nota.
"Vai tornar o acesso ao crédito mais fácil e a custos mais
baratos. Não só para os bancos, como para as empresas em
geral", diz. Lemos também vê mais benefícios na medida em
que a própria Bolsa de Valores cresce.
Fonte DCI - Luciana Bruno
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