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Crédito de pequeno valor irriga economia gerar PDF versão
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01-Jan-2008
Empréstimos abaixo de R$ 5.000 cresceram 6,8% no
terceiro trimestre e ganham espaço nas operações dos bancos
Diferentemente do que vinha acontecendo no último ano, o
volume de crédito de pequeno valor para pessoas físicas -
abaixo de R$ 5 mil - voltou a ganhar força e, há poucos
meses, tem avançado mais que outras modalidades. Os motivos
são variados, mas todos têm relação com o bom momento da
economia, o emprego e o crescimento da renda. Bancos e
financeiras destacam o crédito consignado com desconto em
folha de pagamento e o maior uso de cartão de crédito pela
população de baixa renda para explicar o cenário. E adiantam
que se trata de uma tendência.
Segundo dados do Banco Central (BC), no trimestre fechado em
setembro os empréstimos nessa faixa menor cresceram 6,8%,
muito diferente da queda de quase 1% vista entre julho e
setembro de 2006. O crédito entre R$ 5 mil e R$ 50 mil, por
exemplo, cresceu 6,5% no mesmo período. Nos últimos tempos,
ele era o que mais avançava por causa do estouro nos
empréstimos para compra da casa própria. "O que estamos
vendo é a destinação de recursos para pessoas de menor
renda, com a maior bancarização", costuma afirmar o chefe do
Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
De acordo com o BC, o volume total de crédito no Brasil vai
continuar crescendo acima dos 20% anuais em 2008 e, em
breve, deve atingir a marca de R$ 1 trilhão. No Unibanco,
que também controla a Fininvest, a estratégia é oferecer
cartão de crédito para os clientes que têm renda mensal
entre R$ 500 e R$ 1 mil, o que já resultou em crescimento de
35% no uso dessa linha este ano, segundo o diretor-executivo
de crédito e risco para varejo da instituição, Roberto Lamy.
"O momento para o risco é muito favorável, com renda
crescendo e desemprego diminuindo. Isso tudo faz com que
essas pessoas tenham mais crédito", disse.
O empréstimo com desconto em folha de pagamento também tem
ajudado a impulsionar o crédito menor. No Banco do Brasil (BB),
segundo o gerente-executivo de empréstimo e financiamentos
da instituição, Gueigiro Matsuo Genso, até junho essas
linhas tinham crescido 11,4% no acumulado do ano, cujo
tíquete médio é de R$ 4,5 mil. Nesse caso, diz ele, o risco
é praticamente inexistente e, por isso, a tendência é
continuar no mesmo ritmo.
O maior potencial recai no consumidor do setor privado, onde
o BB tem focado suas ações para fechar convênios. Em junho,
88,1% dos clientes que tinham consignado no banco eram
funcionários públicos. Apesar das facilidades para conseguir
mais crédito, o consumidor tem de ficar atento.
O vice-presidente da Anefac (associação que reúne os
executivos de finanças), Miguel Oliveira, aconselha que se
faça uma ampla pesquisa para ver as melhores condições de
financiamento, com os juros mais em conta. Mesmo com o recuo
nos últimos anos, as taxas cobradas ainda são uma das mais
elevadas do mundo, chegando, em média, a 140% ao ano no
cheque especial. No crédito pessoal, elas beiram 50% anuais.
"O consumidor não pode se iludir, porque corre o risco de se
endividar além da sua capacidade", disse.
Para Oliveira, a tendência de crescimento dos empréstimos
menores também deve continuar, uma vez que os consumidores
das classes C, D e E, em geral, são bons pagadores. "Os
bancos vão se voltar cada vez mais para esse segmento,
porque o risco (de inadimplência) não é mais elevado. As
pessoas de baixa renda, normalmente, sabem que é preciso
preservar o nome, pois é o único jeito para consumirem."
(Agência O Globo)
Veículos puxam demanda da baixa renda
BRASÍLIA – Além do crescimento dos empréstimos de menor
valor, a economia mais robusta também explica a razão da
desaceleração das concessões de crédito para as faixas de
renda maiores. O motivo é inusitado. No segmento de
veículos, por exemplo, a demanda explosiva acabou segurando
as concessões de crédito. O diretor-executivo de Crédito e
Risco de Varejo do Unibanco, Roberto Lamy, conta que seus
financiamentos de carros – normalmente acima de R$ 5 mil –
estão estabilizados, porque a procura é tão grande que,
muitas vezes, não há entrega imediata do bem. A demora chega
a 60 dias.
Assim, a concessão do crédito também fica na fila. “Antes,
fazíamos avaliação de crédito com prazo de até 30 dias
nesses casos, mas agora estamos fazendo para 60 dias. Muitas
vezes, tivemos de refazer as análises (de crédito) porque o
prazo estourou”, afirma. Entre janeiro e setembro, para se
ter uma idéia, a produção de veículos, segundo a Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
cresceu 10,6%, para 2,18 milhões de unidades. Os
licenciamentos e vendas internas, no entanto, saltaram 27,4%
no mesmo período, para 1,74 milhão.
Segundo dados do Banco Central, o saldo dos empréstimos
entre R$ 5 mil e R$ 50 mil cresceu 6,5% no trimestre
encerrado em setembro. Trata-se do pior desempenho, se
comparado às demais faixas analisadas no período, que
tiveram expansão de 6,8% (valores de até R$ 5 mil) e de
7,5%, para as operações que movimentaram acima de R$ 50 mil
– normalmente usadas no financiamento da casa própria. Na
avaliação de Lamy, a situação pode durar mais tempo, porque
vai depender das entregas dos bens. Com os prazos mais
longos, e as taxas de juros mais acessíveis, acrescenta ele,
é natural que os consumidores comprem mais.
Volume total
O volume de crédito total na economia brasileira fechou
novembro em R$ 908,8 bilhões, com crescimento de 3,1% no mês
e de 26,7%em doze meses. Com isso, a relação do crédito com
o Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 34,3% no mês passado,
acima dos 33,6% vistos em outubro. Segundo a ótica do
controle de capital das instituições financeiras, as
operações realizadas pelos bancos privados representaram 15%
do PIB no período, informou o BC, enquanto as feitas pelas
instituições públicas ficaram em 11,7%e as estrangeiras, em
7,6% no período.
Segundo nota do Banco Central, o crescimento do volume de
crédito especificamente sobre as operações de pessoa física
ocorreu pela maior procura pelos empréstimos para a
aquisição de bens duráveis. (Agência O Globo)
Fonte www.otempo.com.br
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