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Disputa de bancos por clientes faz juros cair
01-Jan-2008
A maior concorrência entre os bancos começa, finalmente, a
beneficiar os tomadores de crédito. Apesar de o Comitê de
Política Monetária (Copom) ter suspendido o corte da taxa
básica de juros (Selic) há dois meses, as instituições
financeiras decidiram manter o processo de redução dos
encargos cobrados nos empréstimos e financiamentos a
consumidores e empresas.
Esse movimento só foi possível porque os bancos abriram mão
de uma pequena parcela dos lucros (spread) nessas operações.
Nas contas do Banco Central, em novembro, o spread cobrado
das pessoas físicas recuou ,1,2 ponto percentual, com a taxa
média de juros caindo para 44,8% ao ano, a menor da série
histórica iniciada em julho de 1994. No caso das empresas, o
spread baixou 0,4 ponto, empurrando os juros médios para
23,3% anuais.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir
Lopes, uma das explicações para a queda do spread foi a
entrada dos bancos de médio porte no mercado de crédito. Ao
longo dos últimos meses, dez instituições — BIC Banco,
Panamericano, ABC Brasil, Daycoval, Pine, Cruzeiro do Sul,
Sofisa, Indusval, Paraná e Bonsucesso — abriram o capital e
venderam ações em bolsa de valores. Com o dinheiro captado,
reforçaram o patrimônio e ampliaram a oferta de recursos à
clientela. “Essas instituições são especialistas em crédito
e permitiram às famílias maior mobilidade na escolha de
empréstimos mais baratos”, frisou. Ele destacou ainda que,
nos 11 primeiros dias de dezembro, o spread se manteve em
baixa: recuou 1,1 ponto percentual para as pessoas físicas e
0,1 ponto, para as empresas.
Na avaliação do economista do BC, ainda há um grande espaço
para que os bancos continuem cortando o spread e os juros
cobrados dos consumidores. “Mesmo em baixa, continuam
bastante elevados”, assinalou. Para ele, daqui por diante, o
que ditará o rumo das taxas, além da maior presença dos
bancos de médio porte no mercado, será a facilidades maior
dada aos consumidores para trocar de banco. Agora, uma
pessoa que deve para uma instituição mas encontrou juros
menores em outra, pode transferir seus débitos e aliviar o
orçamento. É a chamada portabilidade. Outro ponto a favor
dos consumidores é o crédito com desconto em folha
(consignado), cuja taxa bateu em seu piso histórico: 29% ao
ano. Essa linha deverá crescer, sobretudo, entre os
trabalhadores na iniciativa privada.
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