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Norte e Nordeste recebem mais crédito com expansão da
economia
04-Jan-2008
A forte expansão econômica fez aumentar o volume de
empréstimos oferecidos pelos maiores bancos brasileiros às
regiões Norte e Nordeste.
A parcela destinada ao Sudeste registrou queda, mas, mesmo
assim, em valores totais, a região ainda concentra a maior
parte dos recursos liberados pelas instituições.
É o que revelam os balanços dos quatro maiores bancos
nacionais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal,
Bradesco e Itaú), que, segundo o BC (Banco Central),
respondem, juntos, por 54% do crédito oferecido pelo sistema
financeiro.
Os balanços demonstram que, entre junho de 2002 e junho de
2007, último período consolidado pelo BC, o volume de
crédito destinado à região Norte do país cresceu 243%, a
maior taxa de expansão registrada no período.
Esse aumento fez com que a participação da região no total
de empréstimos disponíveis no Brasil passasse de 2,4% para
3,4%. Em 2005, dado mais recente calculado pelo IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Norte
tinha participação de 5% do PIB.
O Sudeste foi a única região que apresentou expansão abaixo
da média nacional, com aumento de 128%. Sua participação no
total de financiamentos caiu de 57,6% a 53,7%. Com uma
participação de 56,5% no PIB, a região ficou com uma fatia
de crédito menor do que seu peso na economia.
O crescimento um pouco menor do crédito no Sudeste reflete,
em parte, o grande volume de recursos que já é destinado à
região.
Para ter uma idéia, o total de financiamentos oferecidos
pelos quatro bancos cresceu 144% entre junho de 2002 e junho
de 2007. Só para o Sudeste, essa expansão significou uma
injeção de R$ 376 bilhões -valor equivalente ao total de
créditos destinados ao Nordeste.
O diretor da área de empréstimos e financiamentos do
Bradesco, Josué Augusto Pancini, reconhece que a
distribuição do crédito pelo país não obedece,
necessariamente, ao peso de cada região no PIB. Mas ele diz
que localidades que tradicionalmente recebem menos recursos
começam a ganhar mais espaço no mercado de crédito.
Pancini cita como exemplo o crédito imobiliário, que, no
caso do Bradesco, cresce, proporcionalmente, mais
rapidamente fora das regiões Sul e Sudeste do país.
De janeiro a novembro deste ano, diz o executivo, o banco
financiou a aquisição de 27.834 imóveis, crescimento de 154%
em relação ao mesmo período de 2007. No Nordeste, o aumento
foi de 307%, com empréstimos liberados para a compra de
4.275 unidades. "São locais onde havia uma grande demanda
reprimida," diz Pancini.
Procurada pela Folha, a Caixa Econômica Federal informou,
por meio da assessoria de imprensa, que o crédito
distribuído pelo banco "está voltado para o desenvolvimento
regional para cada Estado da Federação" e que conta com
iniciativas específicas para o Nordeste, Norte e
Centro-Oeste, onde oferece apoio a setores como o de
tecnologia, têxtil, madeira e móveis, entre outros.
O Banco do Brasil informou que não poderia dar informações
até que termine definitivamente o processo de oferta pública
de suas ações na Bolsa de Valores de São Paulo. A assessoria
de imprensa do Itaú não respondeu ao pedido de entrevista da
reportagem.
Base de comparação
Para Júlio Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto de
Estudos para o Desenvolvimento Industrial) e ex-secretário
do Ministério da Fazenda, as taxas de crescimento do crédito
em regiões como Norte e Nordeste são mais altas, entre
outros motivos, devido à pequena base de comparação.
No Norte, por exemplo, o saldo de financiamentos em junho
passado era de R$ 10,1 bilhões, valor pouco superior a 6% do
volume de recursos destinados ao Sudeste.
Independentemente das diferenças regionais, porém, o
consultor do Iedi afirma que a tendência para o crédito deve
continuar sendo de alta em 2008. "Por um lado, ainda devemos
ter o impulso dado pela redução da taxa Selic, que eu
gostaria que tivesse sido mais forte, mas que já faz com que
os bancos reduzam suas operações com títulos públicos e
apliquem mais em novos financiamentos," afirma.
Além disso, ele diz que os consumidores também estão mais
dispostos a contrair dívidas. "Houve um aumento nos prazos,
o que reduziu a prestação e chamou o consumidor ao crédito,
principalmente aquele que tem carência de bens de valor mais
alto, como automóveis e eletrodomésticos."
Fonte Folha de S.Paulo
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